Religião e Ciência: Compatíveis?

Mente de Deus: Matemática, Física, Química e Filosofia!

Durante anos, o ser humano procurou a causa divina da existência e do Universo. É extremamente fácil acreditar numa forças suprema que coordena a realidade como um maestro faz com a sua orquestra – não recorria a esta analogia por mero acaso, a teoria das super cordas ganhou a confiança de uma grande audiência, não só de investigadores.

A maior questão surge da curiosidade do homem em compreender a essência da vida e do Universo. Perante uma perspectiva limitada à percepção temporal e espacial finita, não resta maiores certezas quanto à estrutura do modelo causal – afinal qual seria a primeira causa de tudo? Seja ela qual for, uma primeira causa tem de surgir do nada, tem que ser a sua causa para a primeira consequência de uma corrente de acontecimentos e fenómenos.

Não há dúvida, um Deus omnipotente resolve todo este questionamento para quem tem fé, mas fora a paz de espírito que traz, nenhuma outra explicação ou prova palpável pode ser encontrada. A religião consiste na crença em soluções para o entendimento de tudo, mas a busca por restos de todo o desenvolvimento cabe à ciência. E talvez a religião dos povos ancestrais seja uma ciência mais exata do que fomos capazes de perceber (ver Deuses Astronautas).

Por muitos anos, a ciência e a religião têm sido incompatíveis. Talvez isto se deva a um grave esquecimento de diversas religiões baseadas em pura ciência, como o paganismo, por exemplo. A religião não só pode coexistir com a ciência colaborativamente, como deve. A razão é simples: a ciência e a religião são complementares. Em termos de princípios, a ciência precisa de ter crença em algo para prosseguir ao seu estudo. A religião só exige fé mas pode ser executada por procedimentos científicos simbólicos. Não há razão para optarmos apenas por uma delas, pois nem a ciência consegue explicar tudo, nem a religião consegue demostrar as crenças de sua doutrina.

Aliás, a ciência busca há anos uma teoria capaz de descrever todo o Universo através da unificação das quatro interacções fundamentais que governam o mundo material, isto é, a gravitação, o electromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca. Eis então, a antiga ciência monoteísta que aborda a existência explorada também por doutrinas religiosas. Há muito tempo se tem confiado numa única explicação para o Universo, talvez algo exagerado, mítico e ingénuo. Um Universo tão diversificado poderia ser descrito por uma só teoria? Por enquanto, esta questão permanece sem resposta, obscurecida, mas a ideia que sugere ainda seduz vários investigadores. Porém, acredito mais na perspectiva real da diversidade. Por mais que tentemos justificar uma Teoria de Tudo, a assimetria entre a matéria e a antimatéria e o aparente caos do Universo repleto de ocorrências inesperadas dita a imprevisibilidade total da Natureza. Este ideal geométrico perseguido pela ciência que tanto admira a simetria, parece ser inadequado para a descrição de todos os fenómenos, e até mesmo a Teoria do Tudo, uma perfeição da loucura racional humana, parece ser uma criação ideológica – uma decepção para Kepler se ele ainda estivesse vivo. Entretanto, a ciência monoteísta prossegue com o seu trabalho e contribuição, caminhando esperançosamente no escuro e confiando na possibilidade do ser humano atingir o grau supremo do conhecimento, sem menosprezar outros pequenos avanços científicos menos ambiciosos e tão, ou talvez até mais, importantes quanto esta busca utópica.

Por outro lado, a ciência do espírito que é mais antiga que qualquer religião é a ciência da consciência que existe desde que o ser humano se tornou capaz de reflectir sobre si mesmo, os outros e o Universo (de certo modo, o nascimento da dimensão psicológica humana). E só depois, veio a religião, isto é, o conjunto de normas e crenças/princípios organizadas rigidamente. Ela é importante para manter a paz de espíritos de muitos, mas ao mesmo tempo, a religião é o conjunto de correntes que aprisiona muitas pessoas em doutrinas e modelos. Por isso a libertação de doutrinas é fundamental: a independência mental da consciência, a liberdade, a genialidade e a loucura estão para além dos limites, sendo necessário pensar fora da “caixa”. Ultrapassar esses limites é ir além das crenças e aperfeiçoar o intelecto e as ideias, manter a parte humana viva e em busca daquilo que é, ainda, desconhecido. Isto é um comportamento comum à ciência. Essa é a liberdade humana: saber usar a ciência espiritual e a ciência exacta, ao invés de se deixar ser usado por elas.

Porém, seja pela religião ou pela ciência, a última palavra não é do ser humano que cria o conhecimento que o universo desconhece. A palavra final é da Natureza e, devidamente comprovado, ela ecoa pelo Universo e surpreende pelo caos inesperado da última sílaba que profere.

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